terça-feira, 14 de junho de 2011


   
(...)
Em cerimonial estado, os reis se aproximaram
vida, alma e sonhos em mãos a abrigar
chegando no deserto do tudo, do mundo o limiar
do sono profundo, o ser mortiço despertaram.

Pra que me trazes vida!-clamou o mendigo
se deste conceito fútil sou eu otomano
e tiro-lhe nada alem da dor do insano
da miséria do pobre e do fraco o abrigo.

E esta alma?que serventia há de trazer?
se é da angustia a celeste essência,
se é imagem soberba da carência,
e dos homens a irrelutância do ser.

E estes sonhos? que figuras estranhas!
não os conheço, seu sentido me é esquivo
acaso as insolências, são, do não vivido?
ou do deus inerte as macabras entranhas?

- Que desejo então há de extrair-te esse punhal medonho
- Tragei-me amor e talvez o sonho da vida tenha alma
   tragei-me amor e talvez a alma da vida seja o sonho.

( Vonn Frey "Fundamentos da alma" cap. Inverno)

domingo, 5 de junho de 2011












Serafin


A nifares faresin

fin sera, resa ninfa

rin nifares esrafin


nafrenis refasien

nir aferis, nir asienfra

a nirafes safrien


resa ninfa ferasin

fin sera, fera resa

que te amo serafin.


Vonn Frey "Poemas Universais"


domingo, 10 de abril de 2011











Numa perspectiva de horizonte, sois o kobai que floresce sob minha tarde solitária que desvanece.

Na vigilância da noite, sois vela de fulgurância serena pairando indefesa no obscuro espelho d'água que chamo de vida.

Me feres em cada espaço que existo.

Me apunhalas em cada tempo que renasço.

E me inebrio por ti qual paixão escaldante.

Como o delicado orvalho morrendo para volver a sorrir. Como a semente perecendo para ser primavera.

( vonnfrey: "Fundamentos da Alma")



sábado, 2 de abril de 2011












Quando despertar nesta manhã chuvosa pedirei aos sonhos esquecer em meus olhos uma gota da fantasia na alma silente.

Aquela mesma pertencente ao lago pueril que contigo se foi quando me dissestes adeus e me deixastes nascer no destempo do tempo nesta terra estranhos.

Onde os sonhos são sonhos e a existência sem vida.

( VonnFrey:" Fundamentos da alma")

(foto Babylonstories: Av. Sanjo/ shooping Sanjo, um dos mais antigo de Kyoto)

sexta-feira, 25 de março de 2011


As flores de cerejeiras
estão agora seus matizes a descolorir
olhando vazias as longas chuvas da primavera
é então que entendo o significado do tempo

Hana no iro wa
Utsurinikeri na
itazura ni
wa ga mi yo ni furu
nagameseshi ma ni

( Ono no Komachi, capitulo Primavera do "Kokinshu)

sábado, 12 de março de 2011


"kasasagi no
wataseru hashi ni
oku shimo no
shiroki o mireba
yo zo fukenikeru."

pela alvura das geadas
postas sobre passarelas
formada por kassassaguis
na via láctea noto
o profundo da noite.







( Ootomo no yakamochi ( 718-785) - "Shin kokin wakashu" - cap. Inverno)









...e se a agua lisonjeira banhe teus pés,

e se a terra nas mãos impune se impregne,

em teu peito alvo o fogo queime

e o vento, na distancia, teus sonhos eleve

floresça!! pequena semente.

Pois sou eu, tua mãe,o sussurro da vida a clamar:

“ eis de ser o mais amado de todos meus filhos”

( Vonn frey - " Fundamentos da alma")